Tóquio Express de Seichō Matsumoto, 1958
Um aparente duplo suicídio romântico.

A editora presença diz que é um dos grandes clássicos da literatura japonesa. Parece-me exagerado, ou pobres dos japoneses que se tem de contentar com literatura tão vulgar. Apesar de já ter mais de meio século de idade, esta obra só foi editada por cá este ano, e traduzida directamente do japonês, o que pode ter afetado bastante a sua qualidade original.
Estive para abandonar esta leitura diversas vezes, mas achei que um livro com menos de 200 páginas valia o meu esforço de o acabar para poder dizer no fim, que de facto, é péssimo.
Tudo começa com um casal morto numa praia rochosa, um aparente suicídio duplo romântico, que afinal, devido às suspeitas de um perspicaz inspector, vira um caso de homicídio enredado noutro de corrupção estatal. Está tudo mal estruturado, um mistério mal desenvolvido, o suspense não foi trabalhado, uma escrita amadora, personagens superficiais, diálogos patéticos, investigadores servis e pouco atentos, enfim, nada se aproveita desta história contada às três pancadas. Foi um revirar de olhos consecutivo, eu que já tenho a minha cota de policiais/thrillers esgotada, foi penoso concluir um mistério digno do 6ºC de qualquer C+S.
O final é muito bem explicadinho, através de uma missiva dirigida ao inspector inicial, da terrinha costeira onde o tal casal foi encontrado. Muitas pontas soltas que não foram atadas por incompetência (do autor/ tradutor).
Estou em crer que se deve a problemas sérios de tradução, o que poderia ter sido colmatado se tivessem optado pela tradução/comparação do inglês ou de outra língua, ou então é só um livro mau, independentemente da língua. Também os há no Japão, obviamente.